TORNADO DE PIRAÍ DO SUL FOI CLASSIFICADO COMO F3
Nos últimos dias, o Simepar divulgou o resultado dos estudos sobre o fenômeno que atingiu Piraí do Sul no dia 8 deste mês. Segundo o órgão, tratou-se de um tornado classificado como F3. Para entender essa classificação, um exemplo recente é o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, em novembro de 2025. Na avaliação inicial, ele também foi classificado como F3, mas depois acabou reclassificado como F4.
A conclusão sobre Piraí do Sul veio depois de inspeções em campo, análise de imagens de radar, aerofotogrametria feita com drone e outros estudos. Os dados apontaram uma trajetória contínua de destruição de pelo menos 17,3 quilômetros pela zona rural do município, passando por localidades como Jararaca, Fundão e Boa Vista.
A SUPERCÉLULA que deu origem ao tornado encontrou condições bastante favoráveis para se desenvolver. Havia a presença de ar quente e úmido vindo do Norte do Brasil, associada à atuação de um sistema de baixa pressão sobre o Paraguai. Ao mesmo tempo, uma frente fria avançava pelo Sul do país, aumentando a umidade na região. Outro fator importante foi o CISALHAMENTO do vento, que ocorre quando a velocidade ou a direção dos ventos mudam conforme a altura. Entre a tarde e o início da noite, essas condições ajudaram a organizar e intensificar as tempestades, criando um ambiente favorável à formação do tornado.
As imagens feitas e enviadas pela população durante a passagem do fenômeno também foram importantes para os estudos. Elas ajudaram a acompanhar diferentes etapas do tornado, desde sua formação e intensificação até o deslocamento, a interação com a superfície e, por fim, sua dissipação.
Os danos deixados pelo caminho também ajudam a entender a força do fenômeno. Araucárias e outras árvores de grande porte tiveram os troncos quebrados aproximadamente na metade da altura. Em algumas áreas de pastagem, foram observadas ranhuras no solo, além da remoção localizada da vegetação e da camada superficial da terra provocada pela força dos ventos.
A classificação F3 representa uma estimativa da intensidade máxima do tornado a partir dos danos encontrados no local. Quanto aos ventos em um F3? Vão de 253 a 331 km/h. Considerado um tornado de forte intensidade e potencial de destruição severo.
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Vale reforçar que estamos em uma região também conhecida por ser “corredor de tempestades e tornados”, é o segundo lugar do planeta em que mais ocorrem tornados, perdendo só para os Estados Unidos.
Nos últimos 60 dias, oficialmente o Paraná registrou 7 tornados. Entre 28 e 30 de Junho: Reserva - F2, Nova Cantu - F1, Inacio Martins - F1, Laranjeiras do Sul - F1, Turvo - F1, Cruz Machado (Sem classificação) e 08 de Agosto em Pirai do Sul - F3.
Até o dia de hoje neste ano de 2026, a América do Sul já registrou 89 tornados, destes 81 no Brasil. Em 2025 tivemos um total de 92 tornados registrados no país, com o Super El Niño provavelmente superaremos este número, pois ele favorece maior frequência de eventos severos.
Levantamento feito pela UEPG aponta que entre 1975 e 2018, foram registrados 581 tornados em solo brasileiro, sendo que 411 deles ocorreram na Região Sul, o que representa cerca de 70% do total de casos.
A média anual de tornados no Brasil permanece incerta devido à infraestrutura meteorológica menos robusta do país em comparação com nações como os Estados Unidos ou o Canadá, e também devido à baixa densidade populacional nas áreas mais propensas a esses fenômenos. Grupos de estudos, ou especialistas no assunto passaram a registrar um maior número de ocorrências nos últimos anos com o avanço das tecnologias.
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Fabiano Marangon com informações do SIMEPAR, UEPG (demais fontes nos links)


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