A ARTE DE DESAPRENDER
Em determinado trecho da viagem, deparei-me com um trecho de Mark Twain, que me serviu de inspiração. “Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e as ideias limitadas; só por isso, muitas pessoas precisam muito viajar. Não se pode ter uma visão ampla, abrangente e generosa dos homens e das coisas, vegetando num cantinho do mundo a vida inteira". Viajar é, antes de tudo, um ato de expansão, não apenas de território, mas de consciência. Isso resume com precisão uma verdade que, mesmo em tempos de hiperconectividade, ainda parece esquecida por muitos: nada substitui o contato direto com o outro, com o diferente, com o imprevisível. Vivemos uma era em que se pode “visitar” o mundo pela tela do celular, mas essa ilusão de presença raramente provoca o mesmo impacto que sentir o chão de uma rua desconhecida, ouvir uma língua que não se domina, ou perceber que nossos costumes (para nós tão naturais e óbvios) não são universais. Viajar nos arranca do centro do m...