PACIÊNCIA, SANTA PACIÊNCIA...


A virtude da paciência não é somente a capacidade de esperar, mas de compreender que cada coisa tem seu tempo e que esse tempo raramente é o nosso.

Viver em sociedade é, sobretudo, lidar com a complexidade do outro: ritmos desalinhados, prioridades conflitantes, ausências disfarçadas de presença...

Conviver é perceber que poucos realmente estão 100% disponíveis, atentos ou dispostos e que exigir isso é receita certa para o desgaste (e uns ainda vivem no modo “visualização única” HAHA).

O cotidiano virou um campo minado de promessas que não se cumprem, atrasos disfarçados de imprevistos, desculpas esfarrapadas e enquanto, esperamos pelo que nunca chega.

Acumulamos... Sim, acumulamos silêncios, frustrações, mal-entendidos e expectativas surreais. Acumulamos muitas vezes, também, o excesso de cobrança em nós mesmos. Com isso surge a sobrecarga, principalmente a emocional e cedo ou tarde, a conta chega.

PACIÊNCIA!

Paciência, nesse contexto, não é virtude: é mecanismo de defesa.

Não se trata de então desistir das pessoas, mas de parar de esperar que elas ajam como gostaríamos. Não se trata de então tolerar tudo, mas de saber quando algo deixou de ser um desafio de convivência e virou um peso que ninguém é obrigado a carregar.

É Um jeito de não explodir por dentro a cada desacordo, de não surtar a cada comportamento incoerente. Conviver exige esse tipo de inteligência emocional que não aparece em currículo, mas que decide quem aguenta o tranco e quem implode no meio do caminho.

Nem todo erro precisa de correção imediata. Nem toda conversa precisa acontecer hoje. Nem toda situação vale o investimento que estamos colocando nela.

Conviver, em uma sociedade cada vez mais virtual, é também saber recuar, ou desconectar, respirar, estabelecer limites e entender que maturidade não é manter a calma o tempo todo, mas reconhecer quando chegou a hora de parar de ser compreensivo e começar a ser claro (ou quieto).

Paciência não é sobre suportar o outro. É sobre não se perder tentando acompanhar quem ainda não aprendeu a caminhar em coletivo.

E às vezes, o maior ato de sanidade é simplesmente se afastar... Não por falta de empatia, mas por excesso de lucidez.

FABIANO MARANGON

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