PREVOTS CLASSIFICA TORNADO DE PIRAÍ DO SUL COMO F4
A PREVOTS (Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas) é um grupo brasileiro de meteorologistas e pesquisadores focado em monitorar, prever e documentar tempestades severas no país, como vendavais, granizos grandes e tornados. Foi criado em junho de 2018 e une a antiga Rede Voluntária de Observadores de Tempestades (REVOT) da UFSM com a Plataforma de Registros de Tempo Severo (PRETS). No dia a dia emite alertas baseados em níveis de risco para orientar a população sobre eventos extremos.
Segundo o grupo de especialistas, o tornado de Piraí do Sul, no dia 8 de agosto, percorreu uma distância de 26,1 km e apresentou uma largura máxima de 750 m tendo sua trilha mapeada pelos colaboradores da PREVOTS.
Os danos mais severos observados em construções foram notados na localidade Fundão, onde uma residência de construção mista foi completamente destruída. Os danos mais extensivos ocorreram na estrutura de alvenaria, onde as paredes compostas por tijolos simples de seis furos e reboco fino de concreto foram derrubadas. A estrutura possuía vigas de concreto com 4 vergalhões de ferro de 6 mm de diâmetro. Neste local, a classificação máxima atribuída com base nos indicadores de dano foi de F3, com ventos de até 300 km/h.
Os danos mais extremos observados ao longo de seu trajeto apontam para a vegetação e ao solo. Ao longo de seu trajeto, o tornado foi capaz de remover grandes seções de pastagem com profundidades entre 10 a 30 cm e áreas de 127 m² a 188 m² (considerando a composição do solo predominantemente Latossolo Bruno Ácrico e Cambissolo Háplico), a ocorrência de precipitação acumulada ao redor de 100 mm (concentrados em sua maioria no mês de Julho), e o seu grau de saturação moderado.
Apesar de a estimativa da intensidade dos ventos necessária para causar este tipo de dano não convencional ser difícil, sabe-se que este padrão costuma ocorrer em tornados violentos (F4+). Áreas de mata nativa, composta majoritariamente por árvores de tronco rígido, tiveram a remoção completa de seus galhos, sendo condizente com ventos de intensidade ao menos F3. Contudo, pontualmente além da remoção completa dos galhos foi observado o descascamento de mais de 60% dos troncos e um padrão de lixamento da superfície do mesmo, indicando que os ventos excederam os 380 km/h (F4). Desta forma há evidências suficientes nesta análise preliminar de que, em alguns pontos, os ventos atingiram limiares equivalentes à a intensidade F4.
OUTROS TORNADOS DE MENOR INTENSIDADE
Além deste tornado, outros tornados de menor intensidade foram observados no mesmo dia. Um deles atingiu localidades no interior de Candói, percorrendo uma distância de 17 km e apresentando largura máxima de 150 m. A intensidade máxima estimada se encaixou no limiar inferior da intensidade F2, com ventos de até 200 km/h, em uma residência de madeira com telhado removido e destruição parcial de galpão na localidade de Santa Clara. Já entre Pinhão e Guarapuava, um outro tornado F1 percorreu 18,5 km e atingiu uma largura máxima de 400 m, com danos leves à cobertura de residências, assim como a remoção de galhos de árvores, condizentes com ventos de até 170 km/h. Um outro tornado foi observado na localidade de Palmital, no município de Nova Aurora, onde o seu rastro ainda deve ser avaliado.
Fabiano Marangon com informações da PREVOTS




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