A VIDA NADA MAIS É QUE UM TREINAMENTO PARA A SAUDADE...


Em um de meus momentos de insônia, comecei a pensar sobre isso...

Se a gente parar pra pensar, tudo o que vivemos é um ensaio pra aprender a lidar com a ausência, a falta. Cada encontro já traz escondida uma despedida; cada riso, no fundo, um dia vai virar lembrança, um eco na memória. Resumindo, o tempo nos dá presentes que, ao mesmo tempo, já vêm com prazo de validade.

Seria isso pessimismo, ou lucidez? Acho que não é pessimismo, é só uma forma de encarar a realidade.

Como dizia aquele velho filósofo (Heráclito de Éfeso): tudo flui, nada permanece.

Talvez seja justamente nesse fluxo incessante que a vida nos treine para a saudade, porque cada instante, ao mesmo tempo em que acontece, já começa a morrer.

É nesse movimento que aprendemos a amar com urgência (desde os primeiros passos), guardar cheiros, vozes e gestos como quem arquiva relíquias, não pra aprisionar o que se foi, mas pra carregar no ‘bolso’ da memória aquilo que nos torna humanos.

Acho que a saudade não é só ausência, é sinal de que algo foi tão verdadeiro que conseguiu resistir ao tempo, e segue ali...

Seria esse o aprendizado? Entender que a dor de perder e a beleza de lembrar caminham juntas?

No fim, viver é isso! Treinar pra aceitar as perdas, mas também ser guardião de tudo o que, mesmo distante, continuará vivo na gente.

FABIANO MARANGON

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