O IMPACTO DAS FAKE NEWS: ANÁLISE E CONSEQUÊNCIAS NO JORNALISMO E NA SOCIEDADE
Os avanços tecnológicos vem mudando nossa forma de viver, conectar e trabalhar, trazendo desafios significativos, especialmente para nós jornalistas. O constante bombardeio de informações, dependendo do assunto nota-se à rápida disseminação principalmente por meio das redes sociais.
Porém, nesta mesma velocidade, surgem questões sobre a veracidade e a qualidade destas notícias e publicações, dando espaço ao que conhecemos por Fake News, ou no português, Notícias Falsas.
A Mestre em Comunicação Juliane do Rocio Juski – cita em seu livro Jornalismo Especializado:
Um estudo feito pelo Instituto Locomotiva e publicado pela Agência Brasil, demonstra que 90% da população brasileira admite em alguma oportunidade já ter acreditado em conteúdos falsos. Ou seja, oito em cada dez brasileiros já acreditaram em fake news. Destes, 62% ainda confiam na própria capacidade de diferenciar informações falsas e verdadeiras em um conteúdo.
Após terem descoberto ter caído em uma fake news o sentimento dos entrevistados foi o seguinte: Para 35% um sentimento de ingenuidade, 31% raiva, 22% vergonha e 12% indiferentes, ou seja, nada mudou.
Quanto aos critérios deste levantamento: O instituto ouviu 1.032 pessoas com 18 anos de idade ou mais entre os dias 15 e 20 de fevereiro de 2024.
Em meio a estes dados, podemos notar que as fake news e suas desinformações, prejudicam a sociedade de várias maneiras, como este recente caso que ganhou enorme repercução nas redes sociais:
Aqui, a Diretora de Relações Institucionais e também apresentadora de um meio de comunicação se demitiu por discordar da emissora no gerenciamento de crises. Nesta situação tivemos ainda a demissão da editora-chefe do programa, esta acabou sendo responsabilizada pelo erro. Ou voltando ainda mais no tempo, temos o caso da PEPSI, em 1993.
No intervalo de dois dias em junho daquele ano, pelo menos 52 relatos de consumidores sobre objetos encontrados nas latas ou garrafas do refrigerante foram registrados em 23 estados norte americanos. As vendas caíram drasticamente, a produção diminuiu, e os gastos aumentaram. A empresa publicou anúncios em doze jornais nacionais, e publicaram avisos em mais de 400 jornais locais dizendo aos leitores que as histórias sobre a Pepsi eram uma farsa.
Estes, são apenas dois casos. Mas podemos notar que as fake news e suas desinformações, prejudicam empresas, instituições e a sociedade de várias maneiras, algumas inclusive, estão em evidência nos nos últimos anos:
IMPACTO ECONÔMICO: Fake news podem causar prejuízos econômicos diretos, como no caso da desinformação que circulam sobre empresas (CASO PEPSI). Exemplo citado a pouco sobre o falso boato de que a Pepsi havia encontrado uma seringa em uma de suas latas, levando a uma queda drástica nas vendas e causando danos à reputação da empresa.
POLARIZAÇÃO POLÍTICA: Não só agora, neste período eleitoral, mas nos últimos anos observamos notícias falsas amplamente compartilhadas, muitas inclusive com o poder de distorcer percepções sobre candidatos ou partidos, levando os eleitores a tomarem decisões com base nestas próprias fake news. Em vários casos, jornalistas com posição politica em momentos inoportunos. Caso do primeiro link aqui reportado, onde a apresentadora acabou se demitindo (esta situação também se encaixa no próximo ítem).
DESGASTE DE CONFIANÇA: Temos notado dia após dia que as fake news também minam a confiança do público em instituições importantes, como a imprensa, o sistema judiciário ou a ciência. Por exemplo, quando notícias falsas atacam a credibilidade de veículos de mídia confiáveis, isso enfraquece a capacidade de discernir fatos de opiniões, gerando desconfiança e dificultando o acesso a informações verdadeiras.
DIVISÃO SOCIAL: Vemos muito disso nas redes sociais no dia a dia, divisões políticas e sociais, conflitos e polarização nas opiniões, quase sempre com um ambiente de hostilidade e intolerâncias (independente de partido).
SAÚDE PÚBLICA: Não podemos esquecer disso, no dia a dia encontramos fake news propagando inúmeras informações erradas sobre tratamentos, vacinas, ou curas milagrosas colocando a saúde das pessoas em risco.
O diretor da Rede Celinauta de Comunicação, em Pato Branco – Paraná, Neuri Francisco Reinisch, nos conta sobre o dia a dia da informação, em uma rede que conta com duas rádios, um portal de notícias e um canal de TV:
Agora, de uma forma objetiva, alguns pequenos cuidados para buscar se prevenir contra as fake news, e claro, evitar propagar a desinformação.
A princípio, desconfie de tudo que receber por WhatsApp, Telegram ou encontrar nas redes sociais. Ao desconfiar de tudo, diminui imensamente a probabilidade de servir como inocente útil das cadeias de desinformação. Então:
VERIFIQUE A FONTE DA INFORMAÇÃO: Sempre verifique a credibilidade das fontes de informação e questione quem as compartilhou. Analise cuidadosamente áudios e vídeos antes de retransmiti-los.
CHEQUE OS FATOS: Hoje são tantas as opções disponíveis, e é tão simples: digite no próprio google, o título da notícia que você recebeu antes de passar pra frente, veja se algum veículo de comunicação de credibilidade noticiou algo sobre o assunto em questão. Se não encontrou, utilize-se dos sites de verificação de fatos, como Boatos.org, Agência aos Fatos, Uol confere, Agência lupa, Fato ou Fake, para confirmar a veracidade.
DESCONFIE DE INFORMAÇÕES EMOTIVAS, EXTREMISTAS, OU COM CARA DE SENSACIONALISTA: Fake news muitas vezes apelam para emoções. Se algo provoca uma reação forte, questione a veracidade. Se encontrar escritas de forma alarmista ou provocativa para gerar cliques e compartilhamentos, desconfie. Se uma manchete parecer chocante demais, vale a pena conferir sua veracidade em outras fontes.
VÁ ALÉM DO TÍTULO: Leia todo o texto, toda a publicação e confira se realmente tem relação com o título. Quantos sites, portais digamos “caça-cliques” existem, eles ganham por acesso, por view, então apelam pra títulos chamativos, muitas vezes falsos e que não tem conexão com a matéria em si. Não raro, encontramos anúncios que prometem curas milagrosas, ganhos financeiros, então não se deixe levar pelo sensacionalismo.
COMPARE INFORMAÇÕES: Verifique se a mesma notícia é reportada por diferentes fontes. Se só aparece em um lugar, pode ser suspeita. Lembrando que jornais, sites de notícias e portais de credibilidade têm um histórico de apuração rigorosa, até como bem citou o diretor da Rede Celinauta a pouco. Desconfie de sites desconhecidos ou de baixa reputação.
CUIDADO COM REDES SOCIAIS: Plataformas sociais são um terreno fértil para fake news. Geralmente com o excesso de informações e sem tempo para a reflexões acabam por reforçar a desinformação. É sempre importante buscar outras fontes além das redes sociais para melhorar a qualidade daquilo que você consome.
SELECIONE FONTES CONFIÁVEIS: Siga perfis nas redes sociais e acesse portais de notícias conhecidos e confiáveis. Ter uma rotina de leitura de sites que você confia, reduz a chance de ser enganado por fake news.
FIQUE ATENTO AO CONTEXTO: Verifique a data e o contexto da informação. Às vezes, notícias antigas são compartilhadas novamente, como se fossem novas, o que torna a publicação em uma desinformação. Então é sempre bom garantir que a informação ainda seja relevante e atual.
QUASE FINALIZANDO
Orientar os cidadãos sobre como consumir notícias de forma crítica e consciente nas redes sociais é fundamental para o exercício da cidadania em uma era como podemos chamar de “digital”. A luta contra as fake news é crucial para promover um ambiente social saudável e informado. Adotar essas práticas pode ajudar a criar uma comunidade mais informada e resistente à desinformação.
E para fechar, o pensamento do pós doutor, professor e pesquisador em Ciências Sociais e Ciência Política, Irineu Barreto, em seu livro Fake News: Anatomia da Desinformação, Discurso de Ódio e Erosão da Democracia:
FABIANO MARANGON







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